Escolas Realistas

Escolas realistas

Gustave Courbet, pintor Realista 


A Sociedade do Século XIX (1801 a 1900)

A Sociedade estava dividida em: nobre, burgueses e proletariado;
Nobres: Eram a minoria, e a cada dia que se passava estavam perdendo seus privilégios, pois viviam apenas de títulos e heranças e não de trabalho.
Burguesia: Para esta foi o século de ouro, pois firmou-se e dominou a vida pública e econômica, construindo casas apalaçadas, comprando títulos de nobreza, indo a teatros entre outros.
Proletariado: Era constituída pela massa de operários que trabalhavam horas a fio em péssimas condições e viviam nas marginais das grandes cidades, geralmente em favelas e cortiços.

Contexto Histórico da Europa:

·         1870- Segunda Revolução Industrial: o emprego da energia elétrica, o uso do motor à explosão, os corantes sintéticos e a invenção do telégrafo estipularam a exploração de novos mercados e a aceleração do ritmo industrial. Dessa forma, vários cientistas passaram a se debruçar na elaboração de teorias e máquinas capazes de reduzir os custos e o tempo de fabricação de produtos que pudessem ser consumidos em escalas cada vez maiores. Com isso a massa operária urbana avoluma-se, formando uma população marginalizada que não partilha dos benefícios gerados pelo progresso industrial.

·         1870- Guerra Franco-Prussiana: Foi uma guerra entre a França e o Reino da Prússia, onde esta queria a unificação da Alemanha. A França foi derrotada e passou a ser governada pelo burguês Adolphe Thiers

·         1871- Comuna de Paris: A classe proletária, descontente com o governo de Adolphe Thiers, teve apoio da Guarda Nacional e tomou o poder da França e instalaram a chamada Comuna de Paris. Esta durou cerca de 2 meses quando tropas militares, sob o comando da burguesia que havia sido destituída do poder, massacram e mataram aproximadamente 20 mil pessoas e tomaram novamente o poder da França.

Correntes científicas e filosóficas desse período:

·         Socialismo Científico ou Marxismo (1848): Karl Marx e Friedrich Engels estudaram de forma crítica o capitalismo, e defendiam que a superação definitiva de tal sistema seria alcançada por uma sociedade sem classes. Contudo, para que isso fosse possível, os trabalhadores deveriam conduzir um processo revolucionário incumbido da missão de colocar a si mesmos frente ao Estado, com a instalação de uma ditadura do proletariado.

·         Positivismo (1850): Teoria criada por Augusto Comte onde abandona-se a busca pela explicação de fenômenos externos, como a criação do homem, por exemplo, para buscar explicar coisas mais práticas e presentes na vida do homem, como no caso das leis, das relações sociais e da ética.

·         Darwinismo (1859): Criada por Charles Darwin, mostra que na evolução das espécies – ideia que ia contra os princípios da Igreja – há uma seleção natural onde só os mais fortes sobrevivem.

·         Determinismo:  Criada por Taine e defende que nós não temos livre-arbítrio, mas sim, somos o produto do meio (geográfico, social), raça (instinto, hereditariedade) e momento (circunstâncias históricas). Ou seja, o homem é influenciado por estes três meios e com isso perde seu livre-arbítrio, suas escolhas.

                Nesse contexto, o grande desenvolvimento científico e filosófico , de caráter racionalista, dá origem à conhecida “Geração Materialista”  que domina o cenário intelectual da segunda metade do século XIX, em todos os campos do conhecimento.
                Com sua poderosa influência, uma sucessão de “ismos” passa a explicar a realidade e o comportamento humano, dentro dos parâmetros das chamadas leis naturais, fundamentadas nas ciências biológicas, físico-químicas e também nas ciências sociais.

Surgimento das escolas realistas

                As escolas realistas surgem na França, diversificando-se em três estilos que se desenvolvem simultaneamente: o Realismo propriamente dito, o Naturalismo e o Parnasianismo.
                Foram literalmente escolas antirromânticas que caracterizavam-se pela postura crítica e social dando ênfase ao mundo real, diferente do Romantismo que dava ênfase ao mundo ideal e a fantasia. Porém o público, ainda acostumado com as ideias românticas, teve que passar por uma transformação que tive início nas artes plásticas, principalmente na pintura de Courbet e Manet.
                Em 1857 com a publicação do romance “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, obra que tematiza o adultério feminino, dá-se início oficialmente o Realismo literário francês. Já o Naturalismo é oficializado em 1880, com a publicação de “O Romance Experimental” de Émile Zola, trazendo consigo a ciência positivista e determinista para o campo da literatura.
                O Parnasianismo, que se desenvolve principalmente no campo da poesia tem seu surgimento com três antologias poéticas denominadas “Le Parnasse contemporain” publicados a partir de 1866.

                O Realismo:

                Enquanto o Romantismo se caracterizava fundamentalmente pela ideia de liberdade, entendida no sentido de libertação da subjetividade, dos sentimentos, da imaginação criadora e a da fantasia, o Realismo baseia-se na nas ideias de racionalidade, objetividade e impassibilidade, propondo retratar fielmente a vida contemporânea (a sociedade burguesa e seus valores) para desnudá-la, criticá-la e transformá-la.
                Os romances realistas vão criticar as instituições sociais decadentes, como o casamento, por exemplo, além de realizar uma análise psicológica dos personagens usufruindo da verossimilhança (semelhança com a verdade). Para tanto, utiliza-se da ironia, que sugere e aponta, em vez de afirmar.

                O Naturalismo:

                Assim como o Realismo, o Naturalismo se identifica em uma postura antimonárquica, anticlerical, antiburguesa e, sobretudo antirromântica. Porém este consiste fundamentalmente no exagero, na exacerbação da tendência racionalista do Realismo. Ele retrata a realidade de acordo com os padrões  da ciência positivista e determinista da época.
                Dá-se ênfase na descrição da coletividade, dos tipos humanos que encarnam vícios, as taras as patologias e anormalidades reveladoras do parentesco entre o homem e o animal. Os personagens são vistos como fantoches do fatores biológicos e sociais que determinam suas ações, pensamentos e sentimentos.

                O Parnasianismo:

                Assim como o Realismo e o Naturalismo, o Parnasianismo busca a superação do velho modelo romântico e sua tendência à subjetividade, a emoção e a fantasia no processo de criação artística. Porém, diferente de ambas que, movidas pelo momento conturbado da sociedade, buscaram criticá-la de forma indireta (Realismo) ou de forma direta (Naturalismo), o Parnasianismo procurou alienar-se da vida e refugiar-se no mundo clássico comprometendo-se com a busca pela perfeição técnica da obra, principalmente poética, deixando de lado seu conteúdo e crítica social.
                Os poemas parnasianos possuíam o ideal da “arte pela arte”, ou seja, sua beleza não estava no conteúdo, mas sim na sua estética.  A busca pela perfeição formal, de acordo com as regras clássicas de criação poética, fazia do poema uma “arte”.
                Dentre suas características destacam-se:

·         Estrutura clássica: Optavam pelo soneto (dois quartetos e dois tercetos), pelo verso decassílabo (dez sílabas poéticas) ou alexandrino (doze sílabas), com esquemas métricos, rítmicos e rímicos;
·         Purismo: Preocupação exagerada com a pureza da linguagem, sem que esta sofra influência de outros idiomas;
·         Preciosismo: Uso de termos eruditos, raros. Uma linguagem rebuscada.
·         Tendência descritiva: Buscava-se descrever objetos buscando o máximo de objetividade na elaboração do poema;
·         Referências a mitologia greco-romana: como exemplo dá-se sua nomenclatura, que faz referência ao Monte Parnaso, a montanha que, na mitologia grega era consagrada a Apolo e às musas.

As escolas realistas no Brasil (Contexto Histórico)

·         1849 – Segundo Reinado: Dá-se início ao segundo reinado com o governo de D. Pedro II. Foi uma época de grande progresso cultural e de grande significância para o Brasil, com o crescimento e a consolidação da nação brasileira como um país independente;
·         1850 – Lei Eusébio de Queiróz: Extinguiu o tráfico negreiro.
·         1888 – lei Áurea: Abolição da escravidão, substituindo de vez a mão de obra escrava pelo trabalho dos imigrantes europeus.
·         1889- Proclamação da República: foi proclamada a República pelo partido burguês Republicano Paulista (PRP), com a posse do primeiro presidente, o marechal Deodoro da Fonseca.

No Brasil durante Segundo reinado (de 1840 a 1889), o Partido Liberal e o Partido Conservador se revezavam no poder, sempre segundo os interesses da oligarquia agrária.
No campo da economia, o Brasil, na metade do século XIX, ainda mantinha uma estrutura baseada no latifúndio, na monocultura de exportação com mão-de-obra escrava voltada para o mercado cafeeiro.
Por volta da década de 1870, no entanto, as oligarquias agrárias, que até então "davam as cartas" na economia e na política do país, sofrem pressões internacionais para o desenvolvimento do capitalismo industrial no Brasil, no sentido de um processo de modernização que se dá lentamente. Inicialmente, pela proibição do tráfico negreiro (1850). Com isso cresce a mão-de-obra imigrante, desenvolve-se a indústria cafeeira no interior do estado de São Paulo e ferrovias são construídas. Ao longo dos trilhos, concentram-se as fábricas que dão origem à classe média urbana, que se insatisfaz com a falta de representatividade política.
Essa classe apoia-se no Exército e aceita a liderança dos cafeicultores paulistas, responsáveis pelos trabalhadores assalariados no país e defensores de mudanças estruturais, como a substituição da Monarquia pela República.
A Proclamação se dá em 1889, porém, a República não atenderia as ambições da classe média e dos militares. Então, representantes das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais passam a controlar o Estado brasileiro, por meio de uma aliança entre seus governadores que ficou conhecida como "Política do café-com-leite".

O Realismo no Brasil:

Início: em 1881 com a obra “Memórias póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis
Fim: 1893 com a publicação de “Missal” e “Broquéis” de Cruz e Souza, início do Simbolismo;
Principais escritores e suas principais obras:

·         Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908): Principal escritor desse período. Suas obras possuíam várias características como: pessimismo (não acreditava em nenhum valor de seu tempo e nem mesmo em algum outro valor); ironia e humor sutil, além de uma análise psicológica minuciosa dos personagens.

Poesia: desenvolveu o estilo parnasiano;

Romances: a) fase romântica: Ressurreição (1872); A mão e a luva (1874); Helena (1876); Iaiá Garcia (1878)
                      b)fase realista: Memórias póstumas de Brás Cubas (1881); Quincas Borba
(1891); Dom Casmurro (1899); Esaú e Jacó (1904); Memoria de Aires (1908);

Contos: Contos Fluminenses (1870); Histórias da Meia Noite (1873); Relíquias da Casa velha (1906)

Teatro: Tu, só tu, puro amor (1880); Não consultes Médico (1896); Lição de Botânica (1906)

·         Raul d’Ávila Pompéia (1863-1895): O Ateneu (1888); Uma Tragédia no Amazonas (1880); Canções sem Metro (1883).

O Naturalismo no Brasil

Início: 1881 com a obra “ O mulato” de Aluízio de Azevedo;
Fim: 1893 com a publicação de “Missal” e “Broquéis” de Cruz e Souza, início do Simbolismo;
Principais escritores e suas principais obras:

·         Aluízio Tancredo Gonçalves de Azevedo (1857-1913): O mulato (1882); Casa de Pensão (1884); O Cortiço (1890)

·         Inglês de Souza (1853-1918): O missionário (1891)

O Parnasianismo no Brasil

Início: 1882 com a obra “Fanfarras” de Teófilo Dias
Fim: 1893 com a publicação de “Missal” e “Broquéis” de Cruz e Souza, início do Simbolismo;
Principais escritores e suas principais obras:

·         Olavo Bilac (1865-1818): Poesias (1888); Crônicas e Novelas (1894)

·         Alberto de oliveira (1859-1937): Meridionais (1884); Versos e Rimas (1895)

·         Raimundo Correia (1860-1911): Sinfonias (1883); Versos e Versões (1887)


               



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